sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Coisas que o dinheiro não compra...

Foto: Lula Marques

- Lixeira (tambor cortado) em prédio da UnB:
1 unidade - R$ 1,50



Mas o UnB card compra...

Foto: divulgação
Simple Human

- Lixeiras do apartamento do reitor, compradas com cartão da universidade:

3 unidades - R$ 2.738,00


- Sorriso dos professores em assembléia, votando pelo não afastamento do reitor:



Tem preço?
________________________________________________
Lista completa das compritchas do Sr. Reitor Decorador:
Cadeiras, Poltronas, Mesas de Centro, Cabeceira da Cama e Banco - R$ 69.566
Armários, prateleiras, estantes e outros mobiliários - R$ 57.000
Refrigerador, Freezer, Fogão, Lava-Roupas, Adega, etc - R$ 31.150
Mesa de jantar, sofás, poltronas, mesa de chá e puff - R$ 49.878
Toldos - R$ 10.400 Varanda em vidro laminado e guarda-copo laminado - R$ 13.800
Home Cinema - R$ 36.603
Tapetes, Persianas e Colchões - R$ 37.668
Mesas, espreguiçadeiras, cadeiras e namoradeira - R$ 19.026
Cadeiras, mesas, aparador e prato giratório - R$ 19.215
Panelas, Liquidificador, jogo de jantar, ferro de passar, balde de gelo, assadeiras, aspirador de pó, kit bar, etc - R$ 18.210
Telas artísticas - R$ 21.600
Objetos de decoração interiores - R$ 18.178
Palha para revestimento, xales de seda, tapetes e almofadas - R$ 20.562
Armários, divisórias e painéis - R$ 17.001
Plantio de 16 vasos com plantas diversas na cobertura - R$ 7.264 3
Lixeiras - R$ 2.738
Instalação de ar-condicionado em suítes - R$ 11.470
Instalação de luminárias - R$ 9.845
Um Honda Civic com bancos de couro para uso do reitor - R$72.000,00

Vamos absolver as "pequenas falhas" da última lenda viva?

GGB quer que Fidel Castro peça perdão
Grupo Gay da Bahia quer que Fidel Castro peça perdão por perseguição a homossexuais

Em nota oficial o Grupo Gay da Bahia (GGB) pediu nesta quinta-feira, dia 21 de fevereiro, que o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, assuma e peça perdão pela perseguição imposta por ele contra os homossexuais durante mais de 40 anos.

A homossexualidade foi oficialmente declarada ilegal em Cuba em 1971, quando durante o Primeiro Congresso Nacional de Educação e Cultura de Cuba se estabeleceu que "os desvios homossexuais representam uma patologia anti-social, não admitindo de forma alguma suas manifestações, nem sua propagação, estabelecendo como medidas preventivas o afastamento de reconhecidos homossexuais artistas e intelectuais do convívio com a juventude, impedindo gays, lésbicas e travestis de representarem artisticamente Cuba em festivais no exterior."

"Fidel Castro tem uma dívida histórica a ser resgatada com a humanidade: deve assumir que errou gravemente em tornar Cuba um inferno para os homossexuais e transexuais, causando muita dor, sofrimento, estigmatização e morte de milhares de amantes do mesmo sexo", afirmou Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

Na nota o GGB lembra que dados oficiais de 1980 mostravam que 1700 homossexuais tinham sido deportados para os Estados Unidos, embora organizações de direitos humanos estimem que o número de GLBT expulsos de Cuba ultrapasse os 10 mil.

Além disso, existe a constatação de que no início da epidemia da aids Cuba criou prisões para os soropositivos, sendo que a maioria deles na época eram homossexuais.

Para recordar esse triste momento da história o GGB organizará no próximo mês de março uma exposição que, através de fotos e depoimentos, documenta a homofobia em Cuba. "Dispomos de duas dezenas de cartas de gays cubanos, recebidas nos últimos 30 anos, todos buscando avidamente um companheiro no Brasil para fugir do inferno que ainda hoje representa ser gay no país", salientou Luiz Mott, fundador do GGB.

Fonte:
G Online

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Bebês estimulados mantêm o reflexo de nadar, mostra pesquisa

Luiza Caires, especial para a Agência USP de Notícias

Uma pesquisa realizada com bebês de até um ano de idade revelou que a estimulação mantém o reflexo de nadar. “A medida interrompe o processo gradual de perda que ocorre próximo aos quatro meses de idade em crianças que não são colocadas na água e estimuladas com certa freqüência”, explica o professor universitário Ernani Xavier Filho, que apresentou um estudo sobre o tema na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP.

Até pouco tempo, ainda não era muito claro o que causava a perda do reflexo de nadar nos bebês após o quarto mês de idade. Algumas hipóteses apontavam para falta de força ou maturação do Sistema Nervoso Central e órgãos motores da criança antes de um ano de idade, período a partir do qual os bebês voltam a ter maior controle sobre os movimentos dentro da água. Outras associavam a incapacidade à falta de estimulação, mas nenhum experimento ainda havia sido feito com vistas a comprovar esta idéia.

Para confirmar a última hipótese, Xavier submeteu um grupo de oito bebês à estimulação de uma série de movimentos na piscina, duas vezes por semana, durante seis meses. Foi estimulado o controle da respiração, para que não engolissem água e também ficassem mais tempo embaixo d’água; o controle da postura (capacidade de manter a posição de barriga para cima ou para baixo, sem realizar mudanças muito bruscas); mergulho ventral; braçadas alternadas e pernadas alternadas.

“Um outro grupo de crianças foi formado para controle. Neste caso, os bebês eram colocados na água apenas uma vez a cada 15 dias, sem serem estimulados a executar os movimentos feitos pelo grupo experimental”, explica o professor. Os bebês de ambos os grupos passaram por uma checagem do estado de saúde antes do experimento, e a pesquisa também foi autorizada previamente pelo comitê de ética da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Assistindo às imagens filmadas nas sessões dos dois grupos e comparando-as, foi observado que os bebês do grupo experimental continuaram a executar os movimentos após os quatro meses de idade, mantendo as competências motoras adquiridas em treinamento. O grupo de controle, ao contrário, perdeu muitas dessas competências após os quatro meses de idade, só readquirindo os movimentos do nadar apenas após o primeiro ano de vida.

Este resultado põe em cheque a teoria segundo a qual a perda do reflexo de nadar dos bebês se daria pela imaturidade do sistema nervoso e falta de força muscular para realizar as manobras aquáticas descritas antes de um ano de idade.

Exercício para qualquer idade
Além de recomendar a natação para bebês como um exercício saudável e por seu caráter lúdico, o professor do curso de Educação Física da UEL destaca que os pais perceberam melhora no apetite e no sono dos bebês – embora tais relatos tenham sido feitos informalmente, e não investigados experimentalmente. Outra observação interessante feita na pesquisa foi perceber que bebês que mamam no seio por mais tempo são capazes de manter o bloqueio da respiração quando mergulhados, até aproximadamente os oito meses de idade. “Alguns médicos não recomendam a natação para bebês, talvez por desconhecimento, associando o contato que têm com crianças com problemas como a otite aos mergulhos. Na verdade, não há nenhuma contra-indicação desta atividade para bebês saudáveis, e os próprios pais podem realizar as manobras na água, desde que previamente orientados por um profissional”.

Mais informações: Ernani Xavier Filho, telefone: (0xx43) 3371-4139, e-mail:
piraju@uel.br

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Lendas urbanas que correm na Internet atualizam velhos temores da humanidade

Luiza Caires, especial para o Jornal da USP

As lendas urbanas divulgadas em mensagens na Internet são narrativas que articulam em enredos preocupações humanas atemporais, e em alguns casos constituem reciclagens de lendas muito antigas do imaginário popular que ganham uma nova roupagem para se tornarem contemporâneas. Atualizado e com a circulação potencializada a partir do surgimento da rede mundial, o gênero se caracteriza por abordar temas que fazem referência a elementos do cotidiano da comunidade onde circulam, trazendo mensagens de alerta, histórias supostamente reais que podem gerar pânico no leitor, rumores e casos sobrenaturais.

Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, uma pesquisa analisa esse fenômeno dos tempos atuais. “Apesar de ser um gênero cuja delimitação não é tão definida, podemos identificar na lenda urbana algumas características que costumam estar presentes: a história é contada como verdadeira, em terceira pessoa (‘aconteceu com um amigo de um conhecido’), de origem apócrifa (sem um autor claro), envolve aspectos da vida cotidiana e dá referências específicas (data, localização e nomes), obtendo assim maior credibilidade”, explica o professor de línguas Carlos Renato Lopes, autor da tese de doutorado Lendas urbanas na Internet: entre a ordem do discurso e o acontecimento enunciativo. Preocupações que mexem com a maioria das pessoas são despertadas, como o medo da contaminação, da violência, do desconhecido e do estrangeiro (o “outro”).

Além disso, muitas destas narrativas são variações de histórias parecidas, encontradas até mesmo no folclore de culturas antigas ou atuais. “Encontramos algumas histórias diretamente traduzidas de lendas que circulam em países de língua inglesa, nas quais foram modificados nomes, lugares e referências específicas para serem adaptadas ao contexto brasileiro, encontrando eco nesta comunidade”.

Exemplo disso é a lenda do fantasma de uma mulher muito branca, que circula em diferentes versões em várias regiões do mundo, “sempre fazendo este contraste que associa a brancura e a pureza ao perigo”, analisa. O e-mail alertando para uma quadrilha de roubo de órgãos – que dopa a vítima, deixando a mesma acordar suturada numa banheira com gelo ao lado de um bilhete para que ligue para o hospital – pode ser relacionado a mitos antigos com referência ao roubo de partes do corpo.

Para o estudioso, o auge da divulgação deste tipo de história na Internet já passou, mas a troca das mensagens ainda merece atenção. Algumas destas lendas estão inclusive associadas a práticas criminosas, como é o caso do “golpe nigeriano”, no qual a vítima recebe uma mensagem de um suposto estrangeiro que tem uma grande quantia de dinheiro a receber no Brasil, e que estaria disposto a dividi-la com quem o ajudar nesta tarefa. Para isso, pede que antes a pessoa faça uma série de transferências bancárias – dinheiro que ela nunca mais verá. “Este golpe já existia antes mesmo da popularização da Internet, sendo conhecido como ’a carta nigeriana’ ”, conta.

Linguagem e realidade
O principal referencial teórico escolhido por Lopes para sua pesquisa foi a Análise do Discurso. Esta área de estudo da linguagem reflete sobre como a língua materializa a experiência social na história, sendo ao mesmo tempo instrumento e construtor da realidade. “Não se trata de uma análise meramente lingüística, mas da relação de texto, contexto, sujeito e ideologia. O discurso é então a conexão da língua com o contexto sócio-histórico, articulada na forma, por exemplo, de um texto narrativo.”, esclarece o pesquisador.Por meio da análise discursiva, percebem-se questões que extrapolam o texto, como construção de identidades sociais.

“Algumas histórias revelam identidades construídas no discurso, reforçando estereótipos e preconceitos. Entre as lendas americanas encontrei várias referências à figura do imigrante associada a perigo: produtos importados do México contaminados, uma espécie de chupa-cabras mexicano que teria atravessado a fronteira norte-americana, entre outras”.

O racismo também está presente em certas lendas difundidas. Uma delas dá conta da história de uma mulher branca que teria sido infectada pelo HIV por um negro e, para se vingar, passou a procurar homens negros para ter relações sexuais, espalhando o vírus entre eles. “Uma história parecida, na verdade uma versão 'real' da lenda conhecida como AIDS Mary, foi publicada no tablóide sensacionalista britânico The Sun, deixando ainda menos claras ao público as fronteiras entre realidade e ficção quando falamos em lendas urbanas.”

Mais informações: Carlos Renato Lopes, e-mail: carelo@uol.com.br. Pesquisa orientada pela professora Anna Maria Grammatico Carmagnani

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

E "eles" com isso?

O escândalo do desmatamento amazônico revelado pelos satélites coloca o dedo em uma ferida que não é só nossa. O Brasil não tem mercado interno para absorver toda madeira ilegal extraída da região. Olhe para os móveis da sua casa ou escritório: quantos são feitos de madeira maciça? É um luxo para pouquíssimos hoje em dia. Nem mesmo a madeira utilizada em construções é nobre, como a retirada da Amazônia.

Então vamos dar uma olhada em uma notícia que não é atual, mas recente, e pensar um pouco em o quanto é válido aceitar as ingerências internacionais nas nossas políticas ambientais. Sem dúvida falhas, mas que não são nem de longe as únicas culpadas pelos desastres ecológicos causados à nossa fauna e à nossa flora.


MUSEU ESPANHOL USA MADEIRA BRASILEIRA DE EMPRESAS ENVOLVIDAS EM ILEGALIDADE
Panorama Ambiental Manaus (AM) – Brasil

20/10/2005 - Ativistas do Greenpeace escalaram hoje a fachada do Museu Nacional Reina Sofia, em Madri, na Espanha, para abrir um banner denunciando o uso de 6 mil m2 da madeira amazônica jatobá nas obras de ampliação do Museu. A madeira – que agora decora pisos, divisórias, forro e prateleiras do prédio, projetado pelo badalado arquiteto francês Jean Nouvel – foi extraída na região de Altamira, no Pará, por madeireiras envolvidas em ilegalidades e desmatamento. A empresa Dragados, responsável pela obra, pertence ao grupo ACS (Actividades de Construción y Servicios) e tem como presidente Florentino Perez, também presidente do time de futebol Real Madrid).



Biblioteca do Reina Sofia, onde foi utilizada a maior parte da madeira.


Podemos utilizar raciocínio parecido para analisar as guerras civis africanas em países como Serra Leoa, financiadas com o tráfico dos chamados diamantes de sangue. Para quem acha o termo exagerado, vale lembrar que os conflitos entre rebeldes e governo já mataram e mutilaram centenas de milhares de pessoas.

Chama a atenção a crueldade das milícias sustentadas por este tráfico, que promoveram ondas de saques e estupros, rapto de crianças, obrigando -as a matarem os pais para ingressarem no grupo, deceparam braços de milhares de eleitores que ousaram votar numa tentativa de eleição democrática da região, submeteram jovens e adultos a trabalho forçado nos campos de mineração, em que uma pausa para respirar fundo podia significar um tiro na cabeça. Não é difícil entender o grande número de refugiados que prefere a miséria dos acampamentos a permanecer em sua terra natal.



E o que os países desenvolvidos têm com isso? Primeiro, todos sabemos que países da África, assim como da América, foram colonizados, pilhados e tiveram poucas chances de desenvolver uma economia local competitiva. Pobreza extrema, ignorância e guerra interna andam bem próximos.

Além disso, eu nunca vi uma gargantilha de diamantes ornando o pescoço de uma negra nativa.

Quem compra tem a obrigação de saber de onde vem. Mas só recentemente, por pressão das ONGs de direitos humanos, foi criado um sistema de certificação de procedência destas pedras - e mesmo assim vulnerável, pois as joalherias não permitem uma auditoria externa do sistema.


Anúncio da Anistia Internacional: quanto custam estes diamantes?


Pensemos então com muito cuidado antes de nos envergonharmos de sermos brasileiros, latinos, africanos, ou de qualquer destes locais ondem acontecem coisas "intoleráveis".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Pesquisa minimiza relação da violência com ganhos financeiros

Luiza Caires, especial para a Agência USP de Notícias

A violência é atraente aos jovens em condições de vida sentidas como humilhantes, principalmente como meio de adquirir respeito e admiração – e não pelo retorno financeiro que as atividades ilegais podem trazer. Esta foi a relação da violência – como comportamento e como valor – com as más condições de vida nos bairros pobres da periferia de São Paulo revelada numa pesquisa realizada no Instituto de Psicologia (IP) da USP.

Durante dez anos de convivência com a população de um bairro de baixa renda da periferia, em seu trabalho como psicóloga, Thaïs Cardinale Branco pôde notar a valorização de símbolos ligados à violência entre os jovens da comunidade.


Decidiu empreender então uma pesquisa acadêmica para conhecer as representações sobre violência, verificando se elas são afetadas pelas condições de vida local, e de que forma acontece essa influência.

Para tanto, a pesquisadora entrevistou dois grupos: primeiramente conversou com habitantes da comunidade e educadores, colhendo informações e opiniões sobre a região, sua história, sua inserção na sociedade e as condições de vida que esta oferece – traduzidas por estilos de vida presentes no bairro – buscando saber principalmente a percepção deles sobre os fatores que contribuem para a adoção de estilos legais ou ilegais. Boa parte destes entrevistados revelou entender as ações violentas como uma saída para situações de vida destes jovens, possibilitando admiração dos demais, além de, em alguns casos, serem financeiramente gratificantes.

Em seguida, a psicóloga entrevistou jovens e adolescentes da comunidade, buscando especialmente aqueles que mudaram sua escolha de estilo de vida (de atividades legais para ilegais e vice-versa), pois “tais mudanças revelam transformações de valores, permitindo reflexões mais aprofundadas sobre o que leva a uma ou a outra opção”, como explica.

As entrevistas não seguiam um roteiro prévio, e chegavam a durar duas horas, resultando num trabalho eminentemente qualitativo. Para que os diálogos se viabilizassem, tanto na primeira como na segunda pesquisa, era preciso que os entrevistados confiassem na pesquisadora e, nesse aspecto, seu convívio por uma década com aquela comunidade foi fundamental.


Inferiorizados
Entre os fatores associados pelos jovens pesquisados à valorização da violência, os principais foram: defesa da honra (resposta a humilhações ou mesmo a pequenas situações sentidas como ofensivas); identidade masculina (sendo que grande parte deles foi criada sem a figura paterna, em situação de abandono); obter respeito e admiração alheios; fidelidade (defesa do grupo a que pertence); demonstrar competência de agressão (“eu sou mais forte e sei lutar”); proteção de entes queridos; e ocultamento ou compensação de déficits sentidos como vergonhosos.

Sobre o último fator, Thaïs explica que “as condições materiais e a baixa escolaridade (analfabetismo, inclusive) produzem críticas injustas aos habitantes da periferia, que acabam sendo ligados a estigmas sociais (‘morador de favela’), o que faz com que se sintam inferiorizados”.

Assim, tais valores em conjunto justificariam e validariam o recurso à violência na visão de parte destes jovens. A pesquisadora também pôde observar que o convívio com o mundo violento (brigas, tiroteios, cadáveres expostos) muitas vezes dessensibiliza-os para o afeto, repercutindo na formação de seus valores.

O comportamento e “máscara” agressivos também estão associados a uma forma de defesa. Mesmo que a pessoa não pratique de fato a violência, recorre à postura e a expressões agressivas, roupas escuras e imagens ameaçadoras – como os adesivos de pitbulls com dentes à mostra, que a pesquisadora relata serem muito comuns no local à época. Por outro lado, mesmo nestas condições desfavoráveis, “é bem mais provável que jovens que valorizam coisas que servem como barreiras à violência, como ética, moral e respeito ao outro não pratiquem a violência e sejam contrários ao seu uso”, completa a psicóloga.


Mais informações: Thaïs Branco, e-mail thaishbranco@hotmail.com. Pesquisa orientada pelo professor Yves de La Taille